Três Gerações Transportes

Caminhões da Três Gerações

ESTUDOS DE LOGISTICA.

Paulo Resende

11/10/2007

O resultado do estudo realizado pelo professor e especialista em transporte da Fundação Dom Cabral, Paulo de Tarso Resende, não é nenhuma novidade, mas tem o mérito de provar de forma empírica o impacto financeiro do descaso com que nossa infra-estrutura rodoviária é tratada. O que não deixa de ser um paradoxo para um país que construiu sua estratégia econômica sobre quatro rodas.

De produtores a consumidores, todos pagam a conta estimada em R$ 800 milhões. O passo a passo do levantamento, detalhado pelo Prof. Resende em entrevista ao Portal NT, envolve 149 empresas de setores econômicos representativos, 13.000 kms de extensão em rodovias que correspondem a 60% do tráfego de caminhões, nos principais estados brasileiros. Veja quadro abaixo:

Representação gráfica

  • São 149 empresas entrevistadas
  • A amostra contempla os principais estados brasileiros
  • Concentração de representação em São Paulo
  • Empresas com sede nos estados, mas atuação no Brasil
  • Empresas que possuem frota ou contratam frotas exclusivas

Representação gráfica

Como o senhor chegou ao valor de R$ 800 milhões que correspondem as perdas por ano? Quais os principais custos considerados para esse cálculo?

Os passos foram os seguintes:

  1. Selecionamos vinte e cinco trechos de BRs que comportam cerca de 60% de todo o tráfego de caminhões do Brasil. O restante não considerado está localizado nas rodovias estaduais de São Paulo.
  2. De acordo com a Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional dos Transportes, cada um dos vinte e cinco trechos possui sub-trechos ótimos, bons, regulares, ruins e péssimos. Selecionamos os sub-trechos ruins e péssimos.
  3. Medimos a quilometragem desses sub-trechos.
  4. Através dos sites oficiais (DNIT, por exemplo) coletamos o volume de tráfego pesado nesses trechos.
  5. Calculamos uma capacidade média de carga em cada veículo de 15 toneladas. Multiplicamos pelo número de veículos e achamos a TKU (tonelada quilômetro útil).
  6. Temos uma média de custo operacional com combustíveis e reposição de peças na Via Dutra, considerada referência para nós.
  7. Aplicamos, segundo as empresas pesquisadas um acréscimo médio de 35% em gastos com combustíveis e reposição de peças sobre o valor do R$/Km na Dutra, multiplicamos o valor referente aos 35% pelo número de TKU das estradas ruins e achamos um valor anual de 800 milhões de reais.

Quais rodovias foram pesquisadas?

BR 030, 040, 050, 070, 101, 116, 122, 135, 153, 163, 174, 210, 222, 262, 267, 316, 354, 364, 381, 414, 424, 467, 477, 484. Uma extensão estimada em 13.000 km.

Como chegou ao valor estimado de R$ 5 bilhões de investimento?

Projetando um retorno do investimento em cinco anos, que ultrapassa todos os valores adotados por empresas privadas no mundo. Não inclui ampliação e nem manutenção das estradas. Apenas a recuperação.

Quanto tempo será necessário para deixar as rodovias em bom estado de conservação?

Em cerca de quatro anos.

E para o retorno do investimento?

Entre quatro e cinco anos o governo teria tal retorno, mas não considera a manutenção das rodovias a partir das melhorias.

O estudo aponta a ampliação da malha ferroviária como uma das alternativas para minimizar a deficiência da malha rodoviária. O investimento imediato em ferrovia diminuiria o valor dos R$ 5 bilhões necessário para a recuperação das estradas?

Não diminuiria já que o custo independe do investimento em ferrovia e a ampliação da malha rodoviária não está incluída nesse valor. Esse valor se refere somente à redução dos custos operacionais adicionais devido à situação das rodovias.

O estudo não aponta para trade offs entre investimentos ferroviários versus rodoviários já que houve uma concentração muito grande nos custos com rodovias ruins, sem abordar o tema do desequilíbrio da matriz de transportes do Brasil.

Portal NT

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